A Capital do Vinho, Bento Gonçalves, também é forte no cultivo de cítricos

Laranjas e bergamotas são cultivadas na encosta do Rio das Antas

Bento Gonçalves é uma terra próspera, repleta de cultura, arte e conhecimento nas mais diversas áreas. Apesar de ser considerada a Capital do Vinho e grande parte de sua produção e economia girar em torno da uva, muitas outras variedades frutíferas são plantadas na região. É o caso dos citros, com grande cultivo na encosta do Rio das Antas, que já está praticamente em fase de conclusão da colheita.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento Gonçalves, Cedenir Postal, as maiores produtoras são os distritos de Faria Lemos e Tuiuty, no município, bem como em Santa Tereza, Monte Belo do Sul e Pinto Bandeira, com áreas menores. Nos quatro municípios, temos em torno de 350 hectares cultivados, aproximadamente, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, aborda Postal. Segundo ele, essa é a quantidade aproximada, distribuída entre as muitas variedades, como laranja, laranja do céu, de umbigo, valência, bergamota caí (comuns), montenegrina, pocan e morgota. “Estas são as variedades mais cultivadas”, pondera.

Rentabilidade

Postal analisa que o plantio das frutas cítricas é uma alternativa para diversificar a produção na propriedade. “Visto que ela produz em períodos diferentes dos tradicionais, que é a uva na nossa região, portanto, a colheita é em época diferente. Além disso, é uma alternativa rentável. Quem tem e se dedica ao cultivo do citros tem uma rentabilidade boa”, pontua.

Além disso, o dirigente sindical esclarece que quem deseja implantar um pomar de citros, deve levar em consideração muitos detalhes. “Buscar informações de mercado, de variedade, de tipos de solo, pois tem as orientações técnicas disponibilizadas pela Emater, técnicos agrícolas e também no sindicato. Desta forma, saberá como agir da maneira correta”, esclarece. Para o plantio, ele indica que o período ideal são os meses de junho, julho e agosto onde o solo possui mais quantidade de água. “As plantas começam com o enraizamento, pois as mudas são plantadas enxertadas, dependendo da variedade que o produtor pretende implantar no seu pomar”, salienta.

Comercialização

O consumo deste tipo de fruta, principalmente laranja e bergamota, aumentou muito em virtude da pandemia, na busca por mais vitamina C, que ajuda a aumentar a imunidade. Os frutos produzidos na região são comercializados para diversas partes do estado e do país, como Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e São Paulo. “De uns anos para cá, as câmaras frias, de Pinto Bandeira, começaram a armazenar, principalmente, as bergamotas montenegrinas para depois fazer as cargas para os outros estados. Inicialmente elas foram construídas para armazenagem do pêssego e, nesse período ocioso, são utilizadas para o citros, que é uma forma de diluir os custos”, revela Postal.

Em Bento Gonçalves a produção é, quase que em sua totalidade, na várzea do Rio das Antas, com o cultivo de laranjeira e bergamoteira, de acordo com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Enio Todeschini. Segundo ele, os dados mostram que o município possui 60 hectares de espécies de bergamotas cultivadas, em 20 propriedades. “A estimativa, em anos normais, é a produção de 900 toneladas das variedades cultivadas. Neste ano, em virtude da estiagem, estimamos uma produção de 630 toneladas”, revela.

Já quando o assunto é laranja, Todeschini pontua que são cultivados em torno de 30 hectares na Capital do Vinho. “Anteriormente, colhiam-se cerca de 400 toneladas. Nesta safra, em virtude da seca, a projeção é colher 240 toneladas”, acrescenta.

Porém, apesar disso, ele considera que o fruticultor recebeu mais pela safra. “Apesar da queda na produção, o valor pago por algumas variedades foi superior ao das outras safras. Portanto, não teve muita perda para o produtor, face à velha e sempre atuante regra ‘da oferta e procura’, pontua.
A colheita dos frutos ocorre entre os meses de março e setembro, portanto, está em fase de conclusão. Neste ano, segundo Todeschini, o maior problema foi a estiagem. “Ela atingiu a produção e trabalhamos com uma porcentagem de, em torno, 35% de perda”, avalia.

No pomar

O produtor Marcio Concli produz citros em cerca de 20 hectares na localidade de São Luis das Antas, interior de Bento Gonçalves. Iniciou o plantio das frutas há 15 anos e, vendo que as plantas adaptaram-se muito bem ao clima da região e ao terreno, optou por continuar no segmento. “No espaço, produzo as variedades de pocan, montenegrina, morgota, além das laranjas de umbigo e do céu”, comenta. A produção anual de Concli gira em torno de 20 mil caixas, que são colhidas por uma equipe de trabalho composta por familiares e contratados. Neste ano, ele frisa que teve alguma perda em virtude da estiagem com as variedades que ficam prontas mais cedo, mas que a mais tardia se recuperou.

Serão mais 30 dias de trabalho até que a colheita finalize. As frutas retiradas na propriedade de Concli abastecem muitos mercados pelo Brasil. “Vendo uma quantia desses citros na nossa região e de 40% a 50% para outros estados. Conforme vem pedido, eu vendo, e o restante armazeno em câmara fria para pedidos posteriores”, considera.(Semanário/BG)

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